“Construir um Sonho”

A aquisição de embarcações clássicas moldadas em madeira, seguindo projetos consagrados ou desenhos tropicalizados quando não é simplesmente um sonho, torna-se um objetivo difícil de realizar pela quase inexistente oferta deste item no mercado contemporâneo.

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Especialmente nos USA e na europa existem algumas comunidades náuticas que cultivam a antiga arte de construção naval artesanal, barcos estes celebrados em periódicos e revistas especializadas como a Wooden Boat, que divulga cada conquista destes aficcionados construtores e suas obras maravilhosas.

No sul do Brasil, apesar da tradição no mundo da vela esportiva ter uma longividade que não se estende por muitas décadas o entusiasmo de uma emergente comunidade de velejadores criou o ambiente para várias iniciativas de cultura náutica especialmente na cidade de Itajaí, sede das famosas regatas oceânicas VOR e Jacques Vabre.

A principal e mais querida da comunidade daquela cidade está materializada na forma da Associação Náutica de Itajaí (SC)-ANI, organização sem fins lucrativos que tem como objetivos a difusão de uma mentalidade conectada ao mar, o resgate das tradições marítimas e o incentivo das práticas desportivas ligadas ao mundo náutico.

Seu foco é o desenvolvimento de trabalho social com jovens estudantes (entre 7 e 18 anos) da rede pública municipal. Durante todo ano letivo no contra turno escolar, os rapazes e meninas passam horas por dia aprendendo a remar e velejar, além de receberem noções de cidadania, companheirismo, trabalho em equipe e sustentabilidade numa teia de conhecimentos que visa promover a melhor estruturação da “pessoa” enquanto ser integral.

A ANI é fruto de uma visão do casal Vilmar Braz e Higina Braz, velejadores oceânicos que levaram a cabo uma circum- navegação da terra entre os anos de 1996 a 2001 com o veleiro “Jornal”. A visão e a ideia da missão da futura ANI se construiram ao longo da jornada, durante a qual também se ocuparam em conhecer e estudar inciativas simalares mundo a fora. Ao retornarem estruturação da associação era sua prioridade de vida.

Com o tempo a ANI trouxe para seu convés vários colaboradores, os quais cada um dentro de sua vocação contribuiram com o enriquecimento da enteidade.

Uma das iniciativas mais notóricas é a Escola de Construção Naval que capitaneada pelo “Mestre Wilson” (Wilson José da Silva) acolhe desde 2.008 uma seleção de dedicados amadores para a construção de embarcações de madeira a vela, medindo 3,5 metros armadas ao estilo “dinghy”. Até 2014 o projeto utilizado pela escola foi o Shellback Dinghy do projetista norte-americano Joel White.

Embora não seja exigida experiência anterior na prática em questão, é desejável que os alunos demonstrem alguma habilidade prévia com o uso e o manuseio de ferramentas comuns a trabalhos de marcenaria, as quais serão amplamente utilizadas durante as aulas. Estas aulas, 100% práticas, são ministradas no “paiol”, um galpão onde a ANI mantém sua oficina para a manutenção das suas embarcações. A metodologia é a seguinte: O aluno constrói seu próprio barco com a orientação do instrutor. Cada um risca suas peças, corta, faz a montagem, cola e realiza todos os procedimentos para a finalização da embarcação ao longo de um ano de trabalho.

Construído em compensado naval e resina epóxi o barco se presta tanto para velejar como para remar, ou ainda como barco de apoio para embarcações maiores. Os barcos são leves, com pouco mais de cinquenta quilos e de fácil transporte. Tem capacidade para dois tripulantes adultos ou um adulto e duas crianças.

Construir a embarcação é a primeira fase da convivência com o projeto. Depois de pronto o entusiasta vai se juntar a uma confraria de alunos que já possuem seus barcos e que juntos irão participar de regatas promovidas dentro do calendário anual do Circuito Norte Catarinense de Vela, participando do seu ranking.

As clássicas embarcações de madeira trazem para a raia um pouco de romantismo bucólico e elegância, despertando no público em geral a admiração pelo esporte e muitas e muitas vezes a imediata vontade de participar e de não só sonhar, mas lançar-se ao trabalho e também viabilizar seu sonho náutico.

Esta experiência de regatas, o interesse e a criatividade de quem tem talento para sempre inovar, provocaram Mestre Wilson a pensar soluções que deixasse o projeto original mais marinheiro e apto a novo desempenho. Nasceu assim o projeto Íbis Rubia 3.5 com proa reta, costado alterado e novos pequenos detalhes que fazem o renovado modelo ser um autêntico dinghy brasileiro. O novo barco leva no nome de batismo uma homenagem a ave “Curicaca” (Íbis) tradicional do litoral sul de nosso país e atualmente quase extinta.

Cada vez mais presentes nas águas do norte de Santa Catarina, todos os já 52 velejadores proprietários de seus clássicos Shellback ou Íbis, naves gêmeas que competem juntas, não só trazem um exemplo de amor e engajamento ao esporte, mas também despertam o interesse pelo ócio despreocupado das velejadas tranquilas de final de semana. As velas coloridas e a confraternização de vários ao redor daquelas elegantes embarcações chamam a atenção sempre das crianças e das crianças de um coração um pouco mais vivido, servindo para enriquecer a alma tanto de quem assiste as velejadas, quanto de quem está lá velejando na sua obra de arte.

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Crédito Texto (s) : Coletânea veteranos / Finalização Carlos Werner

Crédito Foto (s) : Carlos Werner

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2 respostas em ““Construir um Sonho”

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